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Saúde

Pílula contra covid reduz em 50% risco de morte e internação

Se aprovado pelos órgãos reguladores, remédio da farmacêutica Merck será o primeiro contra covid-19 ministrado por via oral. Estudo envolveu 775 pacientes em vários países, e resultados ainda são preliminares

A farmacêutica Merck anunciou nesta sexta-feira (01/10) que seu medicamento experimental contra a covid-19, o molnupiravir, reduziu pela metade o risco de hospitalização ou morte em pacientes com diagnóstico recente de coronavírus e em risco de desenvolver formas graves da doença, segundo resultados preliminares dos estudos clínicos.

A droga é administrada por via oral e age interferindo na capacidade do coronavírus de copiar seu código genético e se reproduzir. Ela foi desenvolvida pela farmacêutica em parceria com a Ridgeback Biotherapeutics. Agora, as duas empresas vão solicitar autorização para uso emergencial nos Estados Unidos e pedir licenças de comercialização em todo o mundo.

"Se autorizado para uso, o molnupiravir pode ser o primeiro medicamento antiviral oral para covid-19", diz a Merck em comunicado. "Isso vai mudar o diálogo sobre como gerenciar a covid-19", acrescenta Robert Davis, diretor-executivo da farmaucêutica.

O estudo acompanhou 775 adultos com covid-19, todos sintomáticos, que tinham algum fator de risco, como obesidade, diabetes ou problemas cardíacos, e não haviam sido vacinados contra a doença. Metade deles tomou o medicamento, e metade recebeu placebo.

Análise preliminar do estudo apontou que 14,1% dos pacientes que receberam placebo foram hospitalizados ou morreram, enquanto 7,3% dos que tomaram o molnupiravir foram hospitalizados e nenhum morreu. No grupo que recebeu placebo, oito morreram.

"Excedeu o que eu pensei que a droga poderia ser capaz de fazer neste ensaio clínico", afirma Dean Li, vice-presidente da Merck. "Quando você vê uma redução de 50% nas hospitalizações ou mortes, é um impacto clínico substancial."

A farmacêutica informou que o molnupiravir é eficaz também contra as variantes conhecidas do coronavírus, incluindo a delta, segundo dados de sequenciamento viral disponíveis.

Os pacientes que participaram do estudo – espalhados em vários países, incluindo o Brasil – tomaram a medicação de 12 em 12 horas, durante cinco dias, logo após o aparecimento dos sintomas.

Resultados de estudos anteriores mostraram que o medicamento não beneficia pacientes que já estavam hospitalizados com sintomas graves da doença.

Se aprovado, poderá estar em breve no mercado

Os resultados preliminares foram tão positivos que um grupo independente de especialistas médicos que monitorou o estudo recomendou interrompê-lo mais cedo. Isso ocorre quando os primeiros resultados mostram tão claramente que um tratamento funciona que não há necessidade de mais testes antes de solicitar a autorização de uso.

"A disponibilidade de um antiviral oral eficaz e bem tolerado será particularmente útil para suplementar a vacinação como meio de reduzir a proporção de pacientes que precisam de cuidados hospitalares", afirma Penny Ward, professor visitante de medicina farmacêutica no King's College, em Londres.

Executivos da Merck planejam enviar nos próximos dias os dados para revisão pela Food and Drug Administration(FDA), agência do governo dos Estados Unidos que regulamenta o uso de medicamentos no país. Assim que a solicitação for concluída, a FDA pode tomar uma decisão dentro de semanas e, se aprovado, o medicamento pode estar no mercado logo depois.

O governo dos EUA se comprometeu a comprar 1,7 milhão de doses do medicamento, caso ele seja autorizado pela FDA. A Merck disse que pode produzir 10 milhões de doses até o final do ano e tem contratos com governos de vários países.

A farmacêutica também concordou em licenciar o medicamento para fabricantes de genéricos sediados na Índia, que seriam capazes de fornecer o tratamento para países de baixa e média renda.

Outros medicamentos

O molnupiravir também está sendo estudado em um ensaio de fase 3 para prevenir a infecção por coronavírus em pessoas expostas ao germe.

Outras empresas, incluindo Pfizer e Roche, desenvolvem medicamentos semelhantes, com expectativa de divulgação de resultados nas próximas semanas e meses.

Neste ano, EUA e outros países, incluindo o Brasil, aprovaram o medicamento antiviral remdesivir especificamente para covid-19. Além disso, os EUA permitiram uso emergencial de trêsterapias de anticorpos que ajudam o sistema imunológico a combater o vírus. No entanto, todos esses tratamentos precisam ser administrados por via intravenosa ou injeção em hospitais ou clínicas médicas.

Especialistas em saúde há muito desejam uma medicação mais conveniente para a covid-19, que possa ser prescrita logo após o aparecimento dos sintomas, como ocorre com o Tamiflu na H1N1. Esse tipo de medicamento é considerado essencial para controlar futuras ondas de infecção e reduzir o impacto da pandemia.

"Tratamentos antivirais que podem ser tomados em casa para manter as pessoas com covid-19 fora do hospital são extremamente necessários", disse Wendy Holman, CEO da Ridgeback, em um comunicado.

"Com esses resultados impressionantes, estamos otimistas de que o molnupiravir pode se tornar um medicamento importante como parte do esforço global para combater a pandemia", destacou Robert Davis, presidente da Merck.

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le/ek (Efe, AP, Reuters, ots)